24 de janeiro de 2015

Filmes que eu quero que ele veja (mas ele nunca vai ver) - Begin Again e Once

Lembro como se tivesse sido a pouco tempo atrás. Eu era mais jovem. Estava assistindo uma das edições do Oscar, a de 2008, ainda comentado pelo José Wilker. E me divertindo muito com todos aquelas personalidades com vestidos bonitos e ternos.
De repente, é apresentada uma das músicas que naquele ano estava concorrendo ao "Academy Award for Best Original Song", que na minha cabeça era um prêmio para músicas desconhecidas...
Então, sou apresentada a "Falling Slowly", de Glen Hansard e Markéta Irglová, música original do filme "Once" ("Apenas uma vez", no Brasil). A apresentação do Oscar está disponível no Daily Motion. Adorei a música, mas o tempo passou, não consegui ver o filme e somente anos depois tive a oportunidade de assisti-lo. E definitivamente não foi um erro o Oscar ganhado pelos compositores.



"Once" se tornou um dos meus filmes preferidos para toda a vida. Um roteiro maravilhoso, que retrata o encontro de duas pessoas, com histórias distintas, mas com um grande dom musical. As músicas do filme, todas excelentes, expressam o sentimento do cara que levou um pé na bunda e as expectativas frustradas da garota com o seu antigo relacionamento. E, por causa de 10 centavos e um aspirador de pó quebrado, essas duas vidas se cruzam.
O que me surpreendeu na época foi estar assistindo um filme que poderia ser classificado como "musical" (pois durante seus 90 minutos houveram mais músicas do que diálogos). Mas seu enredo não parecia com o de um musical. Não havia danças escalafobéticas, grandes performances dos atores no palco, nada disso. Nem havia conversas que terminavam em músicas explicativas. A música estava lá, não havia transições para o momento musical. Ela crescia e falava com você, como se fosse o pensamento do personagem que a cantava. Cada música encaixada no momento perfeito. A música era quase que um personagem a parte.
Este foi um marco na minha vida como espectadora. Eu sempre fui acostumada a histórias claras, clichês, no formato de romance que todos estamos cansados de conhecer. Mas "Once" me apresenta um homem e uma mulher que não podem ser um casal. Me apresenta um amor que, mesmo correspondido, não pode ser consumado. Me apresenta uma declaração de amor que não pode ser compreendida, não por falha da legenda, mas porque assim quer o diretor! Me apresenta um final que foge do convencional, que na primeira vez que eu vi fiquei tão chocada que não entendi. Não aceitei que tivesse acabado.
Ah, e nos créditos, recebi o golpe de misericórdia: em momento algum no filme o nome do casal principal foi falado. Então, temos a seguinte informação:


E sabe o que é o pior?? Os nomes não faziam falta. Eles não alterariam a história. Eles não fazem diferença!
Então, decidi procurar o diretor que também escreveu esse filme independente e que teve essa sacada que me fez pirar. John Carney não fez muitos filmes em sua carreira. Na realidade ele também não fez filmes que se tornaram grandes blockbusters. Mas, definitivamente acerta em cheio quando escreve e dirige filmes relacionados com música. A prova disso, além do próprio "Once" (que, na minha opinião é sua obra prima), foi o novo filme dele, lançado em 2013, chamado "Begin Again" ("Mesmo se nada der certo", no Brasil).


Quando vi o trailer do filme, achei ele sensacional. Mas quando apareceu a frase "DO DIRETOR DE APENAS UMA VEZ", em letras garrafais, eu fiquei com uma expectativa ainda maior. Agora com atores mundialmente conhecidos (como Keira Knightley, Mark Ruffalo, Catherine Keener), com o vocalista de uma das minhas bandas preferidas (Adam Levine, do Maroon 5), na minha cabeça não havia como "Begin Again" ser um filme ruim.
E realmente não é.
É um grande filme, que novamente usa a música como artificio para aprofundar a psique e expor os pensamentos dos personagens. Torná-los reais.
O artifício foi utilizar um flashback, muito bem arrumado na montagem do filme, onde, como todo o flashback propõe, mostra como aquelas duas pessoas foram parar naquele bar e como o encontro foi possível.
Para completar, temos uma trilha sonora gravada ao ar livre! Os efeitos foram maravilhosos. Pena que estes não foram transferidos para o CD com a trilha sonora do filme...
Coroando este filme, fui apresentada a belíssima voz de Keira, com músicas que combinam impressionantemente com sua doce voz.
Abaixo deixo o vídeo da minha música preferida da trilha de Begin Again: Coming Up Roses.


Termino na esperança de que John Carney continue a fazer filmes que sejam intimamente ligados com a música. E que o Gabriel veja o filme com o Adam Levine e conclua que a história é ótima!

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