21 de janeiro de 2015

ICARUS - Episódio 1

O jovem astronauta, mesmo após diversas viagens, nunca se cansava do sentimento de observar a terra, luz e todos os astros de dentro de sua nave no espaço sideral. Era algo sufocante, arrepiante, mágico e impossível de explicar para alguém que nunca havia presenciado tal paisagem. Após todas as viagens porém, o que estava para acontecer era incalculável e mudaria por completo o conceito da vida, ciência, esperança e fé. Pelo menos para uma pessoa...

......

Após sua recuperação do impacto gigantesco o astronauta tentava desesperadamente avaliar os danos de sua nave e o desvio causado pela explosão que presenciara à alguns segundos, ao mesmo tempo que tentava reestabelecer, ofegante, sua comunicação com a base aeroespacial.

- May day! May day! Controle da missão, impacto de grandes proporções no casco da aeronave! Uma explosão astral atingiu a aeronave! Todos os equipamentos em mau funcionamento! Repetindo! TODOS OS EQUIPAMENTOS, ESTÃO EM MAU FUNCIONAMENTO! EMERGÊNCIA MÁXIMA!
- João! Cara! Que merda foi essa!? Tu tá bem?! JOÃO! JOÃO!
Sem resposta.
- Cacete! Acorda seu desgraçado, não é hora de dormir agora!!!! JOÃO!!!
Sem resposta.
- Atenção controle da missão! Oficial inconsciente! Equipamentos em mau funcionamento e copiloto inconsciente! EMERGÊNCIA MÁXIMA!

O piloto não podia fazer nada com relação a seu companheiro inconsciente naquele momento, a nave estava fora de seu curso, avariada e acelerada em uma velocidade absurda, com muitos defeitos. O astronauta tentava em vão reestabelecer o funcionamento dos aparelhos, preso em seu assento, enquanto gritava seu copiloto em vão por uma resposta qualquer.
- João seu babaca! Acorda! Eu preciso de ajuda, nada funciona nessa lata velha! Acorda!
Nesse instante ele sente uma força centrifuga diferente que faz mudar sua inclinação levemente em seu assento. Sem poder fazer coisa alguma o astronauta, em pânico começa a socar os painéis que ora acendiam, ora apagavam.

- E agora essa! Mas que droga! Eu estou totalmente no escuro aqui! O que que está acontecendo!?
Então um zumbido leve e irritante no ouvido do astronauta começa a se intensificar rapidamente. E a força que gentilmente mudara seu curso de movimentação começa a aumentar. O astronauta leva as mãos aos ouvidos e em desespero grita e emite sons que ele mesmo não consegue escutar.
- Uuuughr! Ahhhhhhhhhhh! Que isso!? Ahhhhhhhhhh!

De repente escuridão.

Um sono sem sonhos.

Dor de cabeça.

Muita dor de cabeça.

Gosto de sangue.

Luz.

- Unnngh...
O piloto estava a recobrar sua consciência aos poucos... Estava ferido, a nave chegou no solo! E ele não estava morto!
Com as pupilas dos olhos se contraindo ao estímulo da luz do sol, através do vidro da nave ele via palmeiras.
Palmeiras azuis!? Mas o que...!? JOÃO!
- JOÃO!!!!


......

Babando sobre a mesa num escritório movimentado, o militar jovem engravatado loiro de cabelo raspado dormia de frente para o computador ligado e sobre dezenas de folhas de documentos estava seu cotovelo, apoiando a cabeça com um dos braços e na outra mão uma caneta caída.
Um outro engravatado mais alto, se aproximava, jovem de cabelos escuros ondulados e curtos, com um nariz relativamente grande. Com um tapa no braço de apoio do jovem sonolento acordava o colega se divertindo.

- Ícaro! Você não tem nem dois anos aqui na base e já fica morgando aí na mesa de trabalho em plena manhã de segunda-feira! – Diz em voz alta o oficial de cabelo negro.
- Pô João dá um tempo cara! Eu tô morto de sono... – o oficial loiro resmunga lentamente. – Tu num tem mais ninguém pra perturbar por aí não?
 - Olha o linguajar rapaz! Você é um oficial da aeronáutica se dirigindo a outro oficial dentro de seu ambiente de trabalho! – Em tom sério de repreensão – Arrume esta bagunça e volte ao trabalho imediatamente!
Ao que o loiro, ainda sentado, responde indiferente:
- Cara, você não engana ninguém nesse teatro de militar perfeitinho com esse nariz melequento de tucano. Eu sei que o comandante não está aí essa semana então nem adianta fingir. E mais, o fim de semana foi uma droga eu tô ultra cansado, então volta lá pro teu trabalho e me deixa em paz.
O amigo com um sorriso na cara desmancha a postura e comenta em voz baixa:
- Aquela russa de ontem te deu um fora cara?
- Sim. – desanimado.
Voltando a falar alto quase gritando dessa vez:
- Quem sabe na próxima vez que der em cima da irmã do sargento Petrov ele não apareça pra te socar no estômago de novo!
- Eu vou quebrar essa sua nareba seu idiota!
......

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