13 de fevereiro de 2015

ICARUS – Episodio 2

A nave em sua queda se arrastou ao longo de uma faixa de areia da praia. O casco foi rachado e uma grande parte da lateral esquerda se soltou, restando assim um buraco enorme na aeronave. Haviam se passado algumas horas desde o ocorrido, mas foi o tempo necessário para todos os tripulantes se recuperarem e conseguirem montar um acampamento improvisado.

Ícaro estava com uma camiseta sem mangas, e bermuda sentado numa caixa de metal na sombra de uma palmeira de folha comendo sua ração enquanto observava uma mulher magra de cabelos negros e curtos, pele branca, vestida de blusa branca e shorts, cuidar de seu amigo ainda em roupa de copiloto deitado num colchonete, imóvel. Se aproximou então, outro homem mais velho de cabelos grisalhos curtos, com a barba por fazer. Ele tinha um bronzeado vermelho.

- Hey Ikki, quem olha pra gente nem diz que estamos tão ferrados assim, sentados na beira de uma praia pegando um sol, se relaxar um pouco até dá para lembrar do Brasil.
- Se você consegue relaxar sabendo que está perdido sabe-Deus-onde com um dos membros da sua equipe quase morto, estoque de comida restrito e sem chance de comunicação com outros seres humanos, meus parabéns George.
- Desculpa, mas temos que tentar manter alguma esperança, podíamos estar bem pior do que estamos. Pelo menos conseguimos usar os recursos da nave e temos apenas um ferido na nossa tripulação, fora o fato de que descobrimos com o acidente que a atmosfera é "respirável" – George tentou justificar.
- Pior?! Você tá de sacanagem com a minha cara?! Como que podíamos ficar pior que isso? – Respondeu gritando.

A médica do grupo interrompeu: - Olha gente a situação dele é estável, ele não está sofrendo nenhum problema grave, a respiração e batimentos estão estáveis, ele parece estar dormindo, só não sei dizer quando vai acordar. Porque vocês dois não fazem um reconhecimento da área para saber qual é a situação? E Ícaro, pega leve, a gente sabe que você e João são amigos, estamos preocupados também, ficar nervoso agora não vai ajudar em nada.
- Desculpa Natasha, você tá certa, vamos nessa George. Tá com seu canivete e alguma arma? Sabe lá que animais podemos encontrar aqui.

Ele estava certo.

A dupla adentrou o pequeno bosque que seguia a praia procurando por alguma elevação para avaliar a geografia local. As árvores eram em sua maioria palmeiras de folhagem azul, porém ao passo que adentravam a floresta, as árvores ficavam maiores e com troncos mais largos, as folhas ainda eram azuis, porém mais abundantes, inclusive cobrindo o chão com uma mistura de folhas mortas, terra, areia e uma substância viscosa. Foi quando escutaram barulhos de arbustos se remexendo. Avançaram cuidadosamente espiando pela mata rasa, e viram algo amedrontador.

Aranhas Gigantes. Eram criaturas de aproximadamente 1 metro de altura, de pelo marrom cobrindo o copo e as patas, quando andavam faziam barulho de passos fortes. Era uma visão aterrorizante. Havia quase uma dezena, eles não se preocuparam em contar quantas tinham.

Ícaro ficou gelado instantaneamente, sua mente dizia para ele correr, mas seu corpo estava totalmente paralisado de medo. Mas ainda conseguiu pronunciar palavras com dificuldade:

- Ge-Ge-George, vamos voltar p-para a p-p-praia devagar!

E ambos voltaram.

Se antes os sobreviventes espaciais estavam com dificuldades e com nervos à flor da pele, agora a palavra desespero não traduzia o sentimento do grupo, exceto por João que ainda dormia tranquilo.
- O quê que a gente faz agora!?!?! – Perguntou Ícaro.
- Não podemos enfrentar aquelas coisas, não sabemos o que mais pode aparecer, e nós não temos conhecimento nenhum desse lugar a não ser por essa praia que estamos. – Argumentou Natasha.
- Outro ponto importante é fortalecermos nosso refúgio para a noite! Se essas coisas andam por aí em pleno dia, imagine o que pode aparecer de noite... – George completou.
Todos se entre olharam com o mesmo pavor.
- Então vamos tentar montar pelo menos uma barricada ao redor da nave, que é aonde estão nossos suprimentos e tudo mais. E a noite revezamos uma vigília. – Delegou Ícaro – Alguma sorte com a bela adormecida?
- Tudo na mesma, vamos torcer pra ele acordar logo e ajudar no trabalho.

Nessa conversa a luz da tarde já começava a desaparecer e por sorte (se é que sofrer um acidente espacial e cair num planeta com animais peçonhentos gigantes pode ser chamado de sorte) alguns destroços que se desprenderam da nave na queda puderam ser utilizados como material para uma barricada improvisada.
Uma fogueira foi acesa e foram feitas duas outras fogueiras em pontos distantes da nave, pela praia para uma observação melhor do local, no caso de alguma criatura aparecer. A praia era uma faixa de areia curta de alguns metros, que aumentava e diminuía irregularmente. A pequena costa era como uma lua crescente, de forma que era possível, de onde a nave aterrissou, ver as duas pontas da praia. 

Noite.

Cada barulho era um arrepio.
Todos seguravam armas. Na nave haviam 4 pistolas 9mm com pentes extra, que todos pensavam ser um tanto quanto inútil numa exploração espacial. George tinha uma 45mm.
Então no meio da noite quente, o mato começou a farfalhar mais perto.
Saiu para a praia, vagarosamente, um lobo castanho. Também parecia maior que um lobo normal, mas não chegava a ser gigantesco. Logo atrás saíram mais dois, e depois mais dois.
Pelo comportamento da matilha, foi visto que estavam caçando, porém apenas seguiram a luz e fumaça da fogueira, não haviam detectado os astronautas, que por sua vez, estavam atrás das barricadas dentro da nave. Com uma espiadela Ícaro viu ainda outro grupo de lobos próximo a outra fogueira, eram mais 4.  
Todos os humanos se entre olharam novamente concordando em fazer silencio o máximo de tempo possível. Quando ouviram o som seco de algo atingindo a areia.

Eram lanças! Algo estava caçando os caçadores, e sabiam usar lanças!

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