17 de abril de 2015

Dwayne "The Rock" Johnson e a Arte do Badass-Motherfuckerismo

Fala, rapeize

Pois bem, hoje estarei aqui apresentando-os esta homenagem a uma figura inspiradora e um verdadeiro Badass-Motherfucker: Dwayne Douglas Johnson, conhecido intergalaticamente como The Rock.




Antes de levar aos cinemas o genocídio maxilar de formigas-vermelhas, antes de personificar o agente Hobbs e revitalizar a franquia "Velozes e Furiosos", antes de emplacar a melhor interpretação de Hércules nos cinemas, The Rock teve um passado. Um passado digno da figura que ele é hoje. Começaremos o tour por lá.


Nascido em Hayward, Califórnia, Rock é filho de Ata Johnson com o wrestler (“Lutador de luta-livre” seria fiel, mas beirando o eufemisticamente ridículo) Rocky Johnson. Seu avô por parte de mãe, também um wrestler, foi o "High-chief" Peter Maivia e sua avó materna Lia Maivia foi uma das poucas mulheres no ramo da promoção profissional da luta-livre e tornou-se responsável pelas lutas da liga Polynesian Pacific Pro Wrestling depois da morte do marido em 1982. Dwayne recebeu sua herança canadense pelo pai, nativo da Nova Escócia, e sua herança samoana pela mãe.

E certas pessoas (estadunidenses escrotos e simpatizantes) ainda gostam de dizer que o Canadá é “terra de frouxos”.

Dwayne morou com a família de sua mãe na região da Austrália por alguns anos, antes de retornar para os Estados Unidos com os pais. Inicialmente cursando o ensino médio numa escola em Honolulu, Havaí, a família novamente se mudou, dessa vez para a Bethlehem, Pensilvânia graças a uma oportunidade de emprego para o pai. Por causa de seu tamanho (quando novo, ele era BEM gordo) e por gozações sobre o emprego do pai, Rock foi uma criança de pavio-curto, tendo sido preso várias vezes. “Foi tudo juventude e estupidez”, pronunciou-se ele em uma entrevista à Samantha Miller da People. Foi na Pensilvânia que seu interesse pelos esportes o ajudou a trabalhar em seu temperamento.

E então, começou a sua lenda no Gridiron.


O futebol americano para The Rock começou na Freedom High School da Conferência Leste da Pensilvânia. Ele também foi membro da equipe de corrida e (obviamente) da equipe de luta greco-romana, mas sua aptidão no futebol foi o que garantiu convites de inúmeras universidades interessadas no sue potencial como esportista. Graças a isso, Rock pôde optar pela Universidade de Miami e uma bolsa de estudos integral. 

Eu poderia descrever detalhadamente a posição, estilo de jogo e movimentos característicos dele aqui, mas basicamente é só pensar nas coisas que ele faz normalmente, como bater em pessoas e quebrar coisas (ou bater em coisas e quebrar pessoas, tanto faz), só que com um capacete.

Também é preciso dizer que o cara era muito bom. Atuava na defesa, era o jogador que vai atrás do quarterback (o mano do outro time que joga a bola). Ele rapidamente ficou conhecido por suas excepcionais habilidades em campo. E por sua “porra-louquice”.


“Dewey” Johnson como era chamado, se tornou famoso por promover momentos de alívio cômico inusitados. Vestia saias havaianas de folha de palmeira no vestiário, cantava músicas country animadão nas viagens mais tensas no ônibus do time e criou uma reputação formidável como líder-de-torcida auxiliar.

Em um momento semi-lendário, durante um jogo contra o time de San Diego em 1992, milhões de pessoas assistiram aos berros e risos, enquanto The Rock perseguia o mascote do time oponente, um homem fantasiado de guerreiro asteca, por toda a extensão do campo após uma briga entre ambos os times ter começado nos minutos finais do jogo.


Infelizmente, o futuro brilhante de Dewey deu uma guinada para pior quando ele sofreu uma dura contusão nas costas em seu ultimo ano da faculdade. Não só ele se viu obrigado a acompanhar do banco os companheiros de time jogar, como suas notas caíram vertiginosamente. Rock entrou num estado depressivo, não comparecendo às aulas e seu rendimento acadêmico (conhecido nos EUA por "GPA") caiu perigosamente próximo do insuficiente para graduação, ou seja, ele corria risco de perder a bolsa de estudos. Com ajuda de sua futura esposa, Dany Garcia, uma graduanda em negócios e administração, The Rock conseguiu se tirar do poço e em 1995, se formou com um diploma em criminologia e GPA de 2.9 (normalmente, o máximo possível é 4.0, ou seja, 2.9 é muito bom).


Devido à sua contusão, The Rock não foi selecionado para jogar na NFL, liga nacional de futebol americano. Apesar de desvalorizado como jogador devido à contusão, recebeu uma oferta para jogar em um time canadense, que The Rock aceitou. Foi um triste retorno ao Canadá, jogando num time menor, dormindo num colchão encontrado na caçamba de lixo mais próxima da quitinete em que morava. Pra piorar, ele foi demitido do time, DO NADA, porque os donos queriam uma vaga para contratar um antigo jogador da NFL. “Aquilo foi difícil. Era para eu estar colhendo os frutos do meu trabalho, mas lá estava eu, no Canadá, tendo que começar tudo de novo” disse ele à Zondra Hughes da Ebony.

Rocky Johnson
Dwayne retornou para Flórida, onde moravam seus pais. Imediatamente, ele foi até Rocky Johnson com uma proposta: ele queria se tornar um wrestler.

Rocky Johnson não queria que seu filho fosse um lutador, a maioria dos lutadores não quer, no final das contas. É um negócio difícil e algumas vezes ingrato, quando os lutadores não recebem o respeito que merecem. Mas depois que tinha terminado a sua carreira no futebol, Dewey queria o wrestling, assim como seu pai, que tinha visto a fama em todo o país nos tempos de seu avô materno, "High Chief" Peter Maivia. 

Rocky eventualmente concordou em treinar seu filho. Após um breve período na liga USWA de Jerry "The King" Lawler, Dewey foi elevado à WWF em 1996, imediatamente chamando atenção. Eles o chamavam Rocky Maivia pela herança da família e o apelidaram de The Blue Chipper (Lascas Azuis) pelos adereços da sua roupa.


Todo mundo tem um começo...
Maivia era um personagem muito "certinho". Desde o início foi fortemente pressionado apesar da sua pouca experiência na luta livre. Ele estreou num evento chamado Survivor Series em novembro de 1996, uma luta combinada de 8 homens por eliminação. The Rock foi o último "sobrevivente" e levou o prêmio. Apesar disso, os fãs da WWF ainda rejeitaram o personagem, principalmente por seu visual muito extravagante.

Após ser derrotado por Owen Hart na final do Intercontinental Championship e sofrer uma contusão no joelho em uma luta com o wrestler Mankind, Maivia saiu um pouco de cena.

Apenas para retornar meses depois como um VILÃO!

Juntamente com Faarooq, d'lo Brown e Kama, ele formou um time entitulado The Nation of Domination. Durante este tempo, ele se recusou a reconhecer o nome de Rocky Maivia, em vez disso, referindo-se a si mesmo na terceira pessoa como The Rock. Sua fama crescia cada vez mais enquanto ele antagonizava e insultava a platéia em suas apresentações, bem como os entrevistadores de televisão do WWF, uma vez chamando Kevin Kelly de “hermafrodita feia".


Os divertidos videos promocionais e o renome que se seguiu levaram a uma guinada na popularidade de “The Rock”, onde ele passou a se chamar "O campeão do povo".

Johnson tinha um carisma incrível, palavra que é usado em demasia no mundo do wrestling, mas honestamente aplicável ao The Rock. Por isso, veio como uma surpresa quando após a 17ª edição do megaevento de luta-livre WrestleMania, The Rock avisou que tiraria algum tempo de folga da luta-livre para filmar uma parte pequena, mas de suma importância num filmezinho que veio a ser conhecido como O Retorno da Múmia.

Foi um começo auspicioso para sua carreira no cinema. O clímax apresentou uma cena totalmente em CGI de uma versão de si mesmo com pernas de escorpião, onde ele foi deixado para grunhir e gritar em qualquer idioma que quisesse (basicamente o que ele fez). Graças à isso, ele foi parar na lista do Guiness World Records 2007 como o ator com maior cachê pago em um papel de estréia ao embolsar 5.5 milhões pelo papel.

5 MILHÕES PELO PRIMEIRO PAPEL COM MENOS DE TRINTA MINUTOS DE CENA!

Apesar do visual trash, essa cena dele é irada

É dito que esse papel no filme O Retorno da Múmia se deveu ao sucesso que Rock fez como apresentador de um episódio do programa “Saturday Night Live” em 2000, juntos com outros lutadores da WWE.

Em sequência à participação no seu primeiro filme, The Rock emplacou mais dois, no qual desempenhou seus primeiros papéis como protagonista, O Escorpião Rei e Bem-vindo à selva. Com esses filmes que tive meu primeiro contato com Dewey e a partir desse ponto sinto a liberdade de adicionar um pouco mais das minhas opiniões aos fatos. 

Ambos os filmes são boas amostras de ação. Obviamente, não são as obras de arte espetaculares que Rock apresenta hoje, mas desde cedo uma das principais característica de seus filmes, entretenimento, já é visto transbordando da tela. Para aqueles que não viram, indico fortemente ambos e gostaria de comprovar isso com uma pequena cena de O Escorpião Rei.

O personagem de Rock, Mathayus, está enterrado até o pescoço no deserto junto de um ladrão de cavalos. Os homens que o enterraram, deixaram a cabeça de fora para que após destruírem enormes formigueiros de formigas-vermelhas, os criminosos sofressem uma morte lenta e dolorosa sendo devorados vivos pelas monstrinhas carmesim. Num desenrolar curioso da trama, o ladrão de cavalos milagrosamente consegue sair de seu cativeiro e derrubar os dois guardas que haviam ficado observando. Rock naturalmente espera ser resgatado mas por ter tratado o ladrão com certa “gentileza” em cenas anteriores, o escapista sarcasticamente espera um argumento de Rock que pudesse convencer a salvá-lo. Durante a discussão, as formigas atacam Rock e ele luta da melhor forma que pode.

Basicamente, The Rock sendo The Rock
Nos anos seguintes, Rock protagonizou uma boa quantidade de outros filmes, variando desde comédias da Disney (Treinando o Papai) à dramas sobre futebol americano (A gangue está em campo).

Então veio 2011, e Dewey criou a classificação “The Rock” de fodacidade.

The Rock apareceu na quinta sequência da franquia “Velozes e Furiosos” como Luke Hobbs, um agente do serviço de segurança diplomático responsável por caçar os protagonistas. Não preciso nem dizer que ele trouxe novo fôlego para uma série já as margens do repetitivo, inserindo uma pegada mais militar no clássico de corridas de rua. Rock apareceu como um antagonista mais que digno para o “veloz” Paul Walker e o “furioso” Vin Diesel.

O filme em si já teve um apelo fora do comum no Brasil, por ser ambientado no Rio de Janeiro, e seguindo a animação dos fãs com o retorno dos personagens principais à franquia, era facilmente esperado que se tornasse um blockbuster do verão americano. Mas não esperavam que Rock fosse roubar a cena como ele fez. Inteligentemente, como apenas os diretores de trailers são, ficou bem claro que a cena mais épica da porra do filme seria a briga Rock vs. Diesel.

E foi. Dois brutamontes tomados no jiraya destruindo uma saleta na porradaria com certeza foi um dos pontos altos do filme.

Em 2012, Dewey participou da sequência de um filme qualquer aí sobre aliens, um taxista e uma montanha mágica que eu não vi, mas que aparentemente foi o berço de surgimento do meme mais famoso de Rock.


Tentei encontrar a cena original, mas essa está perdida no emaranhado infinito de memes....
Então veio 2013. THE YEAR OF THE ROCK.

Participando do drama inspirado em fatos reais que criticou ao rigor jurídico (e desleal) norte-americano sobre o narcotráfico, Rock interpretou o pai de um jovem incriminado por tráfico de drogas.  Por algumas decisões erradas e tristes acontecimentos da vida, o jovem enxerga a perspectiva de passar seus próximos 30 anos numa prisão federal após ser enganado por um “amigo” que enviou o pacote de drogas à casa dele e insistiu que abrisse, oficializando a apreensão que se seguiu. Apesar de críticas mistas, a performance de Dewey foi bastante elogiada.



Em sequência, ele roubou a cena (e a franquia) novamente, ao contracenar com Channing Tatum no filme G.I. Joe: Retaliação como Roadblock, ou na belíssima tradução ao pé da letra, BARREIRA. Rock basicamente foi o “Soldado-Tanque” do filme, usuário de metralhadoras pesadas aparentemente leves como pistolas, chegando a ponto de pilotar um tanque tunado (com nitro) nas cenas finais, destruindo só alguns robôs-tanque, figurantes da franquia "O Exterminador do Futuro". Tranquilíssimo.


Continuando em 2013, Rock reprisou seu papel como agente Hobbs em Velozes e Furiosos 6, dessa vez tocando o terror em Londres.


NINGUÉM CONSEGUIU NÃO-VER ESSE FILME. 

Então, vocês vão compreender a minha animação (e de todo mundo na sala de cinema onde eu estava) quando dentro do avião-cargueiro em movimento, Vin Diesel estando prestes a levar uma surra do Hulk-nórdico, Rock aparece para salvar o dia. O momento EPOPEICO da cena Vin Diesel lado-a-lado com The Rock pra baixar a porrada nos canalhas é digna das histórias de batalhas lendárias contadas no Valhalla.



AINDA EM 2013, Rock apareceu num filminho meia-boca sobre um assalto à mafia com o irmão caçula do Thor e como co-protagonista ao lado de Mark “Vem comigo, monstro!” Walhberg no drama/comédia/thriller/não sei Pain & Gain.



No dia 16 de dezembro de 2013, a revista Forbes nomeou Dwayne Johnson como o ator mais rentável do ano, tendo seus filmes reunido 1.3 bilhões de dólares ao redor do mundo em 2013. 


UM PONTO TRÊS BILHÕES DE DÓLARES.

Alcançando o posto de "Protagonista Certo" pelo sucesso de seus filmes, interpretou o personagem principal da adaptação Hércules em 2014 e retornou ao papel de Luke Hobbs para Velozes e furiosos 7 em 2015. 

Em março de 2014, confirmou que estaria trabalhando com a DC Entertainment para um projeto de filme ainda sem título. Em setembro de 2014, foi revelado que ele interpretaria Adão Negro em um filme sobre o herói Shazam, onde também assumiu responsabilidades de produtor.



Deixando um pouco de lado o seu sucesso indiscutível na telona, vamos dar um pulo na TV à cabo. No fim de 2014, o canal TNT apresentou um inovador projeto de reality show apresentado por Rock. Dwayne ficaria responsável por ajudar indivíduos que tiveram problemas na vida, perderam seu caminho devido à horríveis acontecimentos e adversidades, e The Rock é o cara que iria "Dar uma Chamada" neles.



Eu fiquei muito animado quando descobri sobre esse projeto. Rock sem dúvida é uma pessoa  muito carismática e sua história de vida, suas lições, são uma inspiração para muitas pessoas. Na mesma noite, consegui encontrar e assistir o primeiro episódio online.

Esse episódio apresenta um jovem americano que sonha ser lutador de mma pelo UFC. No entanto, o garoto tem vários problemas. Sua mãe está na prisão e ele é criado por tios, já saturados com ele e decepcionados com suas decisões ruins. Ele tem problemas com a escola e com drogas (maconha só, gente. Nada pesado).

Em realidade, ele é só um jovem perdido. E Dewey chega pra mudar isso como um tornado. O episódio foge bastante do clichê, é perceptível que o programa tem momentos honesto, aqueles onde fica visível no rosto de todos os envolvidos que aquelas emoções não são artificiais. Em vários momentos é possível ver a dor das pessoas, suas lágrimas, incluindo as de The Rock, tanto nas piores horas quanto no fim do episódio, no momento de redenção.


Um garoto com sonhos na UFC, um treinador de futebol americano infelizmente confortável demais com sua obesidade, um homem de 40 anos vivendo com os pais, um pai de família que sonha ser rapper. Esses são apenas alguns dos episódios da primeira temporada de um reality show com chances mais do que boas de ter um futuro.

Redigir esse artigo acabou sendo uma experiência mais edificante do que eu havia esperado. Meu objetivo era simplesmente compartilhar alguns fatos sobre a vida de um ass-kicker de primeira categoria, mas acho que acabou sendo mais do que isso. A internet está cheia de frases de efeito dele, não confio em quase nenhuma, mas em algumas é possível identificar o jeito The Rock de lidar com a vida. As coisas que ele realmente diria, coisas que já o ouvi dizer. Essas mensagens, essas lições me fazem considerar The Rock um grande exemplo de pessoa.

Um amigo meu acredita que um simples ator não deveria receber os cachês milionários que ganha. Para ele, é um trabalho comum e é injusto que frente a, por exemplo um enfermeiro ou um médico, atores recebam salários maiores e sejam idolatrados. Concordo com ele, nesse caso. Mas discordo dele ao projetar "um ator" em todos. Dwayne Johnson é uma figura conhecida mundialmente por sua vontade férrea e determinação inabaláveis, sua auto-disciplina e respeitabilidade. Tanto no futebol americano, quanto na WWE, quanto em Hollywood, the Rock exerceu seus ofícios com aptidão excepcional. Ele se tornou um grande empresário do ramo do entretenimento e uma figura modelo dentro da cultura fitness. Seu cachê milionário pode ser tão alto, mas não por estarem contratando um simples ator famoso de 5m de altura e 200kg de músculo.


Seu cachê é alto, pois estão contratando uma Lenda.


"A parede! Seu sucesso está do outro lado.
Não pode pular sobre ela, nem contorná-la.
Você sabe o que fazer."
Obs.: O que fazer?
BRING THAT SHIT DOWN!


Por Roberto Marcos

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