3 de maio de 2015

ICARUS - Episódio 3

Em alguns minutos tudo se resolveu, em sangue, lanças na areia e correria.
Após o momento silencioso, uma figura humanoide saiu de dentro da mata se aproximando vagarosamente da nave, com uma lança em punho. George se levantou de uma vez com a figura estranha em sua mira, ao que Ícaro, o repreendeu:
- O quê que você tá pensando? Eles vão te acertar!
- Como assim eles? Só tem um cara aqui.
- E você acha mesmo que esse cara sozinho matou 4 lobos e colocou o resto pra correr com lanças?
Mal Ícaro acabou de falar surgiram duas duplas de humanoides ao lado do primeiro, que por sua vez estava parado com a lança nas duas mãos desde que o astronauta mais velho se levantou.
- Não queremos lutar!
- Você realmente acha que eles vão entender você? Eles parecem índios caçadores furiosos porque nós atrapalhamos a caçada deles! Melhor você preparar essa arma, somos mais rápidos que lanças.
- Mas não somos imunes a elas, ainda mais a essa distância. Eu tive uma ideia. Me cobre, eu vou me aproximar. – disse George, após abaixar a arma e começar a andar em direção ao primeiro humanoide.
Eles pareciam seres humanos comuns, porém não dava para dizer muito bem devido a cobertura de folhas que os cobriam dos pés até a cabeça, fazendo com que parecessem grandes arbustos andantes. Era visível apenas que eram da mesma estatura do grupo de sobreviventes e uma sombra humanoide por baixo das folhas.
Ao se aproximar a distância de três passos, George parou de andar e tentou tirar alguma reação dos “índios” estendendo a mão para um aperto de mão, quando sentiu uma dor intensa como uma agulha em sua mão. Ao olhar para a mão realmente tinha uma espécie de dardo enfiado nela, depois sentiu a mesma dor no pescoço, e em seguida dor nenhuma...

Ícaro, ainda atrás de uma placa de metal enfiada na areia e com as mãos na pistola 9mm, assistiu com olhos arregalados a queda de George a três passos de distância dos homens-folha. Durante a queda de George o mundo de Ícaro ficou como se fosse em câmera lenta. Ele só conseguia pensar que havia perdido outra vida, e dessa vez fora por falta de atitude sua! Ele precisava fazer algo antes que as criaturas hostis resolvessem atacar novamente. E após dois segundos de conjectura, as balas voaram.

Aquelas criaturas não estavam evolutivamente preparadas para aquele tipo de arma mortífera. Fator que se adicionou a raiva de um profissional treinado, resultando em um rápido treino de tiro ao alvo. Bala na cabeça. Bala no peito. Os outros se abaixaram com o barulho desconhecido. Ajuste de mira, bala nas costas. Bala na perna de um e na cabeça do outro. Bala na outra perna. Fim do confronto, resultado: 4 mortos e um incapacitado.
O astronauta esperou alguns segundos de silêncio e ordenou num tom calmo: - Natasha, vai olhar o George. – E em seguida se levantou com a mira no último humanoide caído, e se aproximou do mesmo.

A reação do homem-folha ao encarar Ícaro, foi tentar pegar a lança mais próxima, fato que foi interrompido por um tiro na parte interna do braço, perfurando o músculo tríceps e impedindo o ser de esticar o braço sem sentir uma dor incrivelmente lancinante.
O astronauta chutou a lança para longe e, com a mira em cima da criatura semiacordada e dolorosa, pensava na escolha de palavras. Ou ainda, se era possível alguma comunicação. Disse então sem se virar: - Natasha qual a situação?
- Ele foi envenenado com um tipo de veneno paralisante. Pupilas dilatadas, respiração fraca, e batimentos regulares, porém está inconsciente. – A médica respondeu.
- Precisamos sair daqui rápido e montar acampamento. Eu levo esse aqui com a gente?
- Não, já temos dois pra carregar agora e não dá pra se comunicar com eles, além disso, mesmo se conseguíssemos nos comunicar acho que ele não iria falar muita coisa visto que aniquilamos seus companheiros de caça. Além do mais nossas coisas estão todas aqui, temos mais chance de sobreviver aqui.
- Perto desse monte de cadáveres? Daqui a pouco vão vir outro grupo de criaturas caçando essas aqui, isso se o resto desses índios não vier procurar pelos caçadores.
-Então você prefere carregar dois astronautas inconscientes enquanto eu carrego um pouco de suprimentos, e juntos andamos mata a dentro, indefesos contra aranhas gigantes e o que mais estiver aí dentro? Isso sem falar que ninguém fez um reconhecimento dessa porcaria de lugar e nem sabemos de onde esses desgraçados apareceram!
- Calma Natasha, eu sei que essa situação é uma merda. Ninguém estaria preparado pra isso, temos que pensar juntos. Você está certa, eu acho. Pelo menos temos como nos defender por enquanto, vamos ficar. Leve o George para junto do João e tente fazer uma enfermaria improvisada. Eu vou me livrar dos cadáveres.
Nesse instante outro homem-folha saiu da mata de repente pulando direto em cima de Ícaro, derrubando-o no chão. O caçador estava em cima do astronauta com uma faca tentando furar seu crânio. Enquanto Ícaro lutava pra ficar vivo Natasha tenta mirar no humanoide selvagem, porém um segundo homem-folha a ataca ao mesmo tempo.
Após alguns instantes de luta corporal um tiro acerta o nativo que havia atacado Natasha, fazendo-o tombar para trás e um segundo tiro acerta a cabeça da criatura que lutava com Ícaro, caindo por cima de seu corpo.
Ícaro joga o corpo sem vida para o lado e se levanta rapidamente, avistando João sentado com uma pistola mirando na direção da criatura.
- Que raio de lugar é esse aqui? E o que é isso que eu atirei?! – Diz João.
- Cara não acredito! Até que enfim você acordou! – Fala Ícaro enquanto corre até o amigo para ver como está. Entretanto ele sente uma dor muito forte no tronco e quando olha pra baixo vê sangue por toda sua roupa, e uma faca enfiada no peito. No mesmo instante ele cai ao chão e sua visão começa a ficar turva, a última coisa que ele vê é Natasha gritando seu nome: - ÍCARO! ÍCARO! ÍCARO!

...

Ainda era noite na praia, as tochas ainda tinham chamas fracas. Não havia nenhum corpo na praia além dos astronautas adormecidos.
- Ícaro! Ícaro! – a Voz feminina em sussurro o chamava.
- Acorda, é sua vez de ficar de vigia.
- O quê? Ahhn, é verdade, eu tava dormindo mal mesmo, tudo bem.
- Pesadelo?
- Acho que sim, mas tá tudo bem. Tenta descansar que amanhã temos que decidir o que fazer.
- Pode deixar garoto, eu consigo descansar bem em qualquer intervalo de tempo, sou médica, em plantão é assim que descanso.
- Boa noite Natasha.
Ela se deitou na cobertura improvisada de lona presa ao metal, enquanto Ícaro conferiu sua arma e olhou as próprias roupas. Olhou a praia, deserta, a não ser pelos companheiros de viagem, e disse para si: - Ótima hora pra pesadelos...
Se virou para João e murmurou: - João, essa seria uma boa hora para acordar, seu vagabundo preguiçoso! Aposto que está sonhando que está em férias na praia tomando água de coco.

A noite seguiu tranquila apenas com o som das ondas fracas na praia.

...


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente sua opinião, crítica, sugestão ou whatever!
Nós do Peixe com Sales agradecemos!!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...