11 de julho de 2015

BRT: Uma solução inteligente?

Em junho de 2015 o BRT Transcarioca fez seu primeiro aniversário e o que mudou a vida da população este transporte utopicamente maravilhoso?


Um ano atrás estava assistindo as obras perto da minha casa onde era construída uma estação de BRT. Eu achava essa ideia burra. Aprendi que meio de transporte bom é transporte em trilhos, onde a segurança é garantida, as composições são grandes e poderiam comportar (em teoria) um volume de pessoas muito maior do que em qualquer outro meio de transporte. Então, ao meu ver, o BRT era uma grande furada. Uma obra apenas para justificar um gasto absurdo de milhões. Ainda mais porque foram feitos muitos reparos antes mesmo da conclusão das obras por causa de coisas absurdas como: postes no meio da rua, calçadas mal feitas, dentre outras pérolas, muito discutidas na época.


Nos primeiros dois meses de funcionamento pleno de todas as estações do BRT, eu achava esse o transporte do futuro. Mudei totalmente de opinião. Em alta velocidade conseguia chegar a faculdade voando em incríveis e maravilhosos 40 minutos. Era um sonho depois de anos pegando um caminho que podia demorar uma hora ou 3h30 pra voltar pra casa. Impossível este transporte se transformar em algo ruim, certo? Bom, não foi bem assim.

Depois da descoberta do BRT, a população local começou, obviamente, a utilizar o maravilhoso transporte com ar condicionado, que estava sempre vazio e fazia qualquer pessoa chegar mega adiantado em qualquer compromisso. 

Mas a população não sabe aproveitar o bem que tem. Logo depois que o fluxo de indivíduos nos ônibus começaram a aumentar, cresceram os casos de vandalismo no BRT, onde picharam as cadeiras e portas, roubaram os instrumentos de segurança dos ônibus, como os martelos para quebrar janelas e até as grades que protegem os transeuntes. Afinal, o que um indivíduo faria com estes instrumentos?!?


A população, que nunca foi educada no trânsito e adora atravessar a rua quando vem um ônibus, carro ou moto, começou a ser atropelada pelo BRT, afinal atravessavam fora da faixa e quando o sinal estava aberto. Isto acarretou a imposição da empresa para que os motoristas do BRT dirijam mais devagar, fazendo com que a viagem se torne um pouco mais longa do que poderia ser.

E para variar, com o aumento da população usuária deste transporte, não houve um aumento de BRTs, fazendo com que todas as composições em praticamente todos os horários (principalmente na hora do rush) saiam abarrotadas de pessoas, fazendo com que o conforto vá pro beleléu e que o ar condicionado querido não dê vasão, fazendo com que em pleno inverno eu consiga me sentir sufocada dentro de um lugar desses.


E com a substituição de inúmeras linhas de ônibus pelo BRT, agora não há nenhuma opção razoável para se fugir desse transporte infernal. De solução inteligente, como eles tanto noticiam nas TVs instaladas nos ônibus e nas estações, se tornou a única opção. 

E agora, como reestruturar uma ideia construída com milhões de reais, que já estão sendo alvo de mais investimentos? Afinal, é necessário impedir os "penetras" que não pagam passagem de embarcarem nos ônibus, além dos vários remendos que estão sendo colocados na pista exclusiva do BRT, pois os buracos aparecem, mas investimento para consertar são outros quinhentos...



Gostaria realmente de descobrir como toda essa logística do transporte vai funcionar depois das Olimpíadas de 2016. É um papo clichê, mas se agora que os olhos do mundo estão apontados para o Rio de Janeiro está esta loucura, imagina depois que ninguém mais se importar com a imagem "pra inglês ver".

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