27 de setembro de 2015

Que horas ela volta?

O cinema brasileiro tem inúmeros altos e baixos. Representações memoráveis e outras muitas pífias. Mas hoje, temos no cinema um filme simples, interessante e bem brasileiro com uma qualidade a muito tempo não vista.


"Que horas ela volta?" tem uma trama simples: Val, uma empregada doméstica vinda do Nordeste, trabalha para uma família abastada na capital de São Paulo. Ela, para conseguir sustentar a filha, deixou-a no Nordeste, mas sempre mandou dinheiro para a sua criação e se falavam por telefone. Agora, a filha de Val quer vir para São Paulo, prestar vestibular para arquitetura, tendo que morar na casa dos patrões da mãe. Afinal, como seria a convivência de uma mãe e uma filha que mal se viram na vida e como a chegada de Jéssica mudará a vida de todos?



Com estas questões, temos uma fotografia da vida cotidiana de uma doméstica que cuida da casa dos patrões como se fosse a sua, que cria o filho deles como seu, mas que ainda não tem o devido valor reconhecido por seus patrões. Vemos as angústias de uma mãe que não sabe como controlar a filha que mal conhece. Além disso, assistimos a chegada de uma pessoa tão diferente a um lugar tão cheio de regras e facilidades que Jéssica quebra a todos. Quebra a mãe, que percebe sua filha não é mais uma menininha; quebra o patrão, que se vê encantado por uma jovem tão decidida; quebra a patroa, que se sente insegura a todo momento; quebra o filho dos patrões, que mesmo tendo tudo nas mãos, não necessariamente tem tudo o que quer.


Em tempos onde somente Tropas de Elite são dignos de aplausos e milhares de comédias românticas não se destacam no cinema, "Que horas ela volta?" é um sopro de simplicidade que bate na nossa porta.


Regina Casé, rainha do "Esquenta", programa que eu não consigo mais pensar em assistir, me lembrou como ela é uma ótima atriz. Sem vaidades, sem frescuras e com cenas lindíssimas, onde a felicidade transborda como uma piscina, Casé mostra-se exatamente como as pessoas que tanto defende em seu programa. E sem nenhum tom pejorativo. Tem anos que não a vejo tão brilhante.


Se ainda não está convencido, deixe-me te contar que "Que horas ela volta?" foi exibido no festival de Sundance 2015, onde ganhou o Prêmio Especial do Juri na categoria de interpretação de cinema mundial. Além disso, foi selecionado para ser exibido também no Festival de Berlin. Acho que isso mostra apenas um pouco da força deste filme.

Aconselho a você, que está com saudades de ver um bom filme brasileiro, vá aos cinemas e veja como nós temos total capacidade de fazer um filme tão bonito com personagens tão cotidianos.

Inté, pessoal!

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