29 de março de 2016

BatmanVSuperman: o MELHOR

Se inspirado no Cavaleiro das Trevas, o PeixeComSales expôs o PIOR de BatmanVSuperman, é sob a tutela do Bastião da Verdade, Justiça e do “Jeitinho americano" que o PeixeComSales vai trazer o MELHOR de BatmanVSuperman.

(AVISO: SEGUEM-SE SPOILERS DO FILME BATMANVSUPERMAN)


Como eu disse no artigo sobre o filme e a tendência das rede sociais de amar ou odiar as coisas (aqui), BvS quando erra, erra feio, mas quando acerta, acerta em cheio. Apesar de seus problemas, grande parte deles se limitando ao roteiro, as atuações foram alguns dos pontos altos do filme, especialmente para os atores mais subestimados. Mas não somente o trabalho dos atores deve ser destacado, outros fatores do filme devem ser considerados, houveram alguns momentos em que esse filme se portou como "F*dão". Eis aqui alguns deles.

Coisa f*dona n°1: “A melhor retratação do Batman nos cinemas”

Nessa primeira semana após a estreia do filme, as críticas estão começando a sair ainda. Mas é um FATO, uma pérola dentre todos os linchamentos em torno da produção e roteiro, que a atuação de Ben Affleck como Bruce Wayne/Batman foi esplêndida. E porra, foi mesmo.


Como já comentei, sou um fã declarado do Morcego. E apesar de todos os momentos de descrença critica dentro do filme e suas crateras no roteiro, uma coisa que se mantinha fiel era o personagem de Bruce Wayne. E eu digo Bruce Wayne, não Batman. Porque é isso que Ben Affleck foi, o melhor Bruce Wayne do cinema.

Alguns fãs costumam dizer que “Bruce Wayne é uma faceta do Batman”, que o Cavaleiro das Trevas é o verdadeiro e o bilionário é a real “máscara”. Mas é muito mais complicado que isso e Affleck conseguiu entremear-se no meio de toda essa bagunça psicológico-quadrinistica e sair por cima. Baseando-se na obra de Frank Miller, “O Cavaleiro das Trevas Retorna”, vemos um Bruce Wayne mais velho e experiente em “BatmanVSuperman: Origem da Justiça”. Um vigilante aposentado que passa seus dias administrando a companhia de sua família. No entanto, o incidente ocorrido em “Homem de Aço” com a invasão do General Zod e sua luta com Superman nos céus de Metropolis, levaram Bruce Wayne de volta à sua armadura das trevas.

Durante os dois primeiros atos do filme, vemos um Bruce Wayne proativo, perseguindo pistas e caçando bandidos. O vemos trabalhando na Batcaverna, usando o Bat-computador e demonstrando suas habilidades de Bat-engenheiro, o vemos até mesmo saindo à campo sem disfarce para um trabalho interno na LexCorp durante uma festa de gala. E em todo o momento que o vemos agir, sabemos as suas motivações e seus pensamentos com clareza de cristal. Como isso? Porque suas ações e pensamentos são a todo momento trazidas à discussão com uma parte integrante do personagem que é o Batman, e essa parte é Alfred Pennyworth.


Brilhante interpretado por Jeremy Irons, Alfred fez a contraparte passional para a turbulenta mente de Bruce. Questionando sempre que podia os objetivos do Batman e seu antagonismo com o Superman, levantando dúvidas na projeção de Bruce sobre a posição do Superman como ameaça planetária. E mais, Irons em suas discussões, ao mesmo tempo intensas e sutis, com “Master Bruce...”(*sotaque britânico*) não esqueceu de temperá-las com os rápidos porém eficientes comentários sarcásticos do eterno “humor inglês”. As pequenas alfinetadas quanto ao “estilo de vida” de seu patrão conseguiam fisgar os mais leves sorrisos no rosto de Bruce, infelizmente apenas quando ele estava de costas para a câmera...

Coisa f*dona n°2: Mulher-Maravilha

Além de Affleck como Batman, outro anúncio mal recebido pelos fãs foi da israelense Gal Gadot como Diana Prince, a Mulher-Maravilha. Focando primariamente na questão física, a escolha se mostrou uma opção corajosa frente à todas as críticas. Felizmente, tal opção se mostrou um dos acertos do filme.


Gal Gadot aparece pouco no filme, infelizmente. Mas quando aparece, é pra roubar a cena. Misteriosa e carismática, Diana Prince surge nos primeiros atos do filme como uma dúvida na trama. Não sabemos o que ela quer ou porquê ela está ali, só sabemos que queremos ver mais. O olhar de desafio silencioso que ela joga pra Bruce enquanto entra no carro esportivo e acelera deixa pra trás um Morcego completamente incapaz.

Apesar de os primeiro e segundo atos do filme compelirem a trama em uma direção, vemos uma completa perda de sentido ao entrarmos num dos terceiros atos mais bagunçado e turbulento que eu já vi. Infelizmente, nesse momento o roteiro rouba de Gadot a profundidade de seu personagem e ela se torna um objeto a ser guiada até o momento mais esperado do filme: tag team Bat-Super-Maravilha.

E aí a situação tem altos e baixos... A grande batalha contra o Doomsday se inicia. E é a Mulher-Maravilha quem assume ponta de lança. Seu primeiro momento em cena é defendendo a “Carranca de Calor” que Doomsday lança sobre o Batman, mas assim que o trio parte pro ataque é ela quem lidera. Algo que podia ter sido melhor trabalhado foi a grande quantidade de CG utilizado, mas não é possível evitar um arrepio quando a Mulher-Maravilha se joga contra Doomsday, rugindo um grito de guerra. Mesmo que em flashes é possível ver a sua capacidade de batalha enquanto ela abre cortes gigantescos no monstro, com sua espada olimpiana. Superman e Batman são meros coadjuvantes nessa luta e mesmo quando o combate alcança seu clímax, vemos a Mulher-Maravilha sacando de uma das suas armas mais características e prendendo Doomsday num aperto de pura força bruta.


Senhoras e senhores, uma salva de palmas para Gal Gadot, a nossa poderosa Mulher-Maravilha. Bem vinda ao cinema.

Coisa f*dona n°3: Thriller político


Vou dar meu braços à torcer agora: os caras tinha uma ideia boa pra esse filme. Como eu já disse, os primeiro e segundo ato do filme são até bons, o terceiro que é a perdição. No começo do filme somos apresentados às consequências materiais e conceituais da revelação de Superman e de toda a raça kryptoniana sobre a sociedade terráquea. Obviamente, toda a nossa civilização fica na defensiva já que uma "picuinha" entre apenas DOIS indivíduos destruiu grande parte de Metropolis, matando milhares de civis no processo. Alguns veem Superman como uma grande ameaça à paz, outros enxergam nele um salvador. E aí começam as comparações religiosas e alusões a deuses. O filme expõe a disputa da opinião pública quanto ao Superman e como isso evolui a ponto de o poder político se ver obrigado a tomar uma atitude. Através de uma senadora dos Estados Unidos, vemos o Superman, sempre visto como ser superpoderoso e defensor das pessoas, ser colocado contra a parede sob a hipótese de “E se você decidir fazer o que bem entender, quem vai pará-lo?”.


O sentimento de vulnerabilidade da raça humana é o foco aqui. Esse mesmo sentimento é o combustível que leva dois dos personagens, Lex e Bruce, a se erguerem contra o Superman. E esse senso de vulnerabilidade foi uma boa expressão do que seria termos um Superman na sociedade de hoje. Mas aí... entra o terceiro ato. E tudo vai pro c*aralho...

Coisa f*dona n°4: Puro e simples entretenimento

Enquanto saía da sala de cinema, e lutava contra a mistura confusa de sentimentos que se apoderavam de mim enquanto os créditos rolavam, um dos amigos com quem fui ver o filme chegou pra mim e disse “É, cara. Eu tava errado quando falei que o Batman não ia fazer nada. Ele é f*dão!”. Semelhante a isso, apesar de uma pontuação de 29% no site especializado em críticas Rotten Tomatoes, “BatmanVSuperman: a Origem da Justiça” continua a bater recordes de estreia tendo obtido no primeiro fim-de-semana MEIO MILHÃO DE DÓLARES ao redor do mundo. 

Mas gente, como assim...? Que tipo de filme consegue atrair o desprezo de críticos mas ao mesmo tempo, hordas de fãs ao cinema?

Eu te digo, um filme de ação porr*deira do c*ralho.


Por mais que o enredo tenha buracos do tamanho da Fossa das Marianas, por mais que as atuações do elenco (grande parte, pelo menos) tenha sido admiráveis, um filme de super-heróis não é nada sem poderosas cenas de ação. E esse filme as teve.

O embate entre Superman e "Batman-de-Ferro" foi o primeiro degrau. Depois, há um pequeno interlúdio onde vemos o Batman em ação contra um bom número de capangas. Então, chegamos ao prato principal: Tag team Bat-Super-Maravilha contra o Apocalipse.


Durante a temporada de “Liga da Justiça” e “Liga da Justiça: Sem Limites” no SBT, foi possível assistir os embates de monstros superpoderosos e suas contrapartes heroicas: Superman e Brainiac, Mulher Maravilha e Ares, Ajax e outros-coadjuvantes-que-não-me-lembro-o-nome. Nessas animações cada golpe afastava quilômetros, cada soco demolia prédios. “BatmanVSuperman” conseguiu trazer à vida esse nível de poder. 

Cada golpe do Apocalipse jogava o Superman longe, cada impacto da Mulher-Maravilha fazia as redondezas tremerem. No meio de todo esse poder, não era estranho vermos o Batman afastado do centro da luta já que apenas um golpe o tiraria dela, permanentemente. Mas mesmo assim, quando vemos Apocalipse perseguir o Batman, o Morcego escapa meros segundos antes da brutalidade do mostro destruir o lugar onde ele estava. O Apocalipse é implacável, pura força bruta de destruição e mesmo a violência obstinada da Mulher-Maravilha e o poder massivo do Superman quase não são suficientes pra mantê-lo ocupado. 


São lutas assim que os fãs querem assistir quando vão no cinema. E todo os problemas de enredo foram apenas um interlúdio chato até elas chegarem.

Então, galera, é isso. Por favor, não levem meus comentários como definitivos, assistam o filme e tirem suas próprias conclusões! Se quiserem, aqui tenho também um artigo sobre as guerras de opinião nas redes sociais e como todos tem que escolher GOSTO ou NÃO GOSTO apenas e aqui temos o PIOR de BatmanVSuperman e meu tratamento no estilo Cavaleiro das Trevas: diálogo da porrada. 


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