29 de março de 2016

BatmanVSuperman: o PIOR

Tal qual o Cavaleiro das Trevas, devo ser impiedoso para com os pecados do devido meliante e purificar sua consciência pesada com sequências desalmadas de soco atrás de soco atrás de soco. Bem vindos, senhoras e senhores, à crítica/desabafo do que de pior aconteceu em “BatmanVSuperman: a Origem da Justiça.

(AVISO: SEGUEM-SE SPOILERS DO FILME BATMANVSUPERMAN)

Primeiro, gostaria de indicar à leitura da minha opinião sobre o filme e porque devemos nos erguer contra a tirania do 8/80 pra filmes de heróis (aqui). E também, o MELHOR de BatmanVSuperman, nossa crítica dos pontos positivos aqui. Se puder lê-los primeiro, notará que a violência verbal de que farei uso aqui nasceu da minha crescente descrença com o desenvolver da trama e que as minhas risadas nervosas agora irão se converter em socos-no-rim, estilo jornalistíco. Ok, vamos lá.

“BatmanVSuperman” teve um primeiro ato lento, desenvolvendo os personagens, principalmente Bruce Wayne, explorando os acontecimentos que serviriam para fundamentar as motivações desses personagens durante o filme. Só que algumas coisas não tiveram o menor sentido...

Coisa sem sentido n° 1: Batman, o genocida implacável.

Eu sou um fã declarado do Batman, daqueles chatos mesmo. Eu me amarro em analisar as motivações do Batman, a psicologia por trás do que ele faz, como ele mesmo enxerga as suas ações. Muita gente acredita, assim como eu acreditei um dia, que é a regrinha do “Não matarás” é um princípio bonitinho que o Batman cunhou pra si mesmo na época do Super Amigos pra ele não ser confundido com os caras maus.

Só que na realidade, Bruce Wayne é um sociopata alquebrado pela culpa de um acontecimento trágico ao qual ele não possuía nenhuma capacidade de evitar, o assassinato de Thomas e Martha Wayne. Mesmo anos depois de suas mortes, Bruce visita os túmulos de seus pais na propriedade Wayne e sente todo o peso de não ter sido capaz de evitar que suas vidas tivessem sido tomadas, ele, à época, um garoto de 10 anos. A forma com que ele lida com essa culpa, é vestindo uma armadura de trevas, misturando-se à noite e transformando toda a raiva armazenada por anos em uma explosão de violência direcionada por disciplina e focada no pior de Gotham. Entretanto, são muitas as ocasiões que essa violência foge ao controle, não raramente graças à um famoso palhaço, levando o homem-morcego à milímetros de cruzar a linha. São nesses momentos que ele sofre um tipo de ataque de pânico que coloca a situação sob perspectiva: se ele tirar aquela vida, não vai ser em nada diferente do homem que tirou a vida de seus pais. O Batman não criou uma regra de ouro pra separá-lo dos vilões, ele é limitado por uma fronteira final que impede a própria mente de quebrar sob o peso de todo o seu trauma.

Tendo isso em mente, eu queria perguntar ao sr. Zach Snyder por qual razão o Batman MASSACRA CRIMINOSOS COMO UM MOEDOR DE CARNE COM CAMUFLAGEM NOTURNA!?

É assustador! Ele pilota o Batmóvel na maior demonstração de direção agressiva que o filme pôde expor, explode carros com pessoas dentro a torto e a direito, lança mão de socos que dificilmente não quebrariam um pescoço. Em um determinado momento, ele tira uma faca do próprio ombro e enfia no proprietário anterior da lâmina, sem a menor sombra de dúvida. Mas o pior de tudo é que o filme não “mostra” isso acontecer. Ele corta a cena no exato momento em que vai haver algum tipo de conclusão.


Você vê um cara atirando de dentro de um carro, você o Batmóvel ativando sua própria artilharia frontal e disparando projéteis contra o carro, você vê o carro explodindo, mas em nenhum momento vê o que aconteceu com o atirador, cujo cadáver ardendo em chamas provavelmente se encaminha em direção à morte. Você nem mesmo vê onde a facada do Batman acerta ou as consequências dela, a câmera convenientemente anda um pouquinho pro lado e você só vê que o Batman tava puto e que tinha um pescoço no exato lugar de onde a faca ficou presa. E não houve qualquer explicação pra essa quebra de fundamental moral do personagem. NENHUMA. 

Ele simplesmente mata pessoas. E foda-se.

Coisa sem sentido n°2: Clark Kent tá puto com o Batman.

Numa tentativa bem preguiçosa de criar o background para o confronto que dá nome ao filme, os roteiristas decidiram que o jornalista do Planeta Diário, Clark Kent, não fecharia muito com a vibe do morcego. Mas por quê não? Eu não tenho ideia. É praticamente um caso de "um santo não bateu com o outro".

O editor do Planeta, interpretado por Laurence Fishburne (o eterno Morfeu), atribui a Clark a tarefa de cobrir a coluna de esportes do jornal e aconselha intensamente “esqueça esse morcego de Gotham”. Mas Kent, sendo o jornalista-investigativo obstinado que é, não escuta o conselho. Ele está incomodado com esse maluco fantasiado que está matando criminosos procurados ou fazendo com que eles sejam presos e mortos na prisão. Como ele faz isso? Como de praxe, o Batman faz várias visitas "amigáveis" a criminosos de Gotham com o objetivo de obter algumas respostas. Só que o Batman começa a marcar à fogo os criminosos aos quais ele ajuda a levar à justiça, sabe? Igual gado. Essa marca, dentro das prisões as quais os criminosos são mandados, tornam-se penas de morte para os outros detentos. E graças a notícia essas mortes dentro das prisões, Clark Kent vem a acreditar que os atos do morcego de Gotham devem “chegar ao fim”.

Assim, temos o primeiro encontro dos nossos protagonistas. No meio de uma perseguição violenta, Superman aparece à frente do Batmóvel e joga-o contra uma parede. Ele arranca a capota do veículo, espera o Batman se levantar (lentamente) e temos o diálogo que apareceu nos trailers. “Se a sua luz brilhar no céu de novo, não vá para ela. O Morcego está morto. Enterre-o”. E depois dessa leve ameaça, ele sai voando. Agora eu te pergunto, e os criminosos com conteúdo roubado radioativo que o Batman estava perseguindo...? O que aconteceu com eles...?


Aparentemente, o Superman está pouco se fodendo pra isso.

Coisa sem sentido n° 3: Lex Luthor.

Jesse Eisenberg foi o escolhido para interpretar um dos vilões mais icônicos da DC e arqui-inimigo declarado do Superman, Alexander Luthor, CEO da LexCorp. Algumas pessoas questionaram essa escolha de elenco quando ela foi anunciada. Essas mesmas pessoas devem estar dizendo muitos “eu te disse” nesse momento.


A interpretação de Luthor foi, de certa forma, corajosa. Eisenberg teve um óbvio processo de desenvolvimento de personagem, eu poderia dizer que beirando o nascimento do Coringa de Jared Leto e talvez até mesmo o de Heath Ledger. Mas diferente de ambos estes profundamente complexos personagens, o Lex Luthor de Jesse Eisenberg simplesmente “não vingou”.

Usaram esse perfil de fundador de Startup, novos gênios bilionários do Vale do Silício, blazer branco, camiseta de estampa e tênis da Adidas. Botaram cabelo nele pra depois tirarem o cabelo SEM A MENOR RAZÃO. Mas o que rouba a cena, sem sombra de dúvida, são as sequências de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade combinados com o pior caso de cacoete que a história do cinema já viu. Ele é louco. Mas não um louco legal, ele é um louco-louco.

Coisa sem sentido n° 4: Apocalipse

Vamos chamar ele de “Doomsday” por respeito ao personagem. Apresentado em um TRAILER meses atrás, o que pareceu ser o vilão principal do filme, se provou ser o vilão principal do filme. É, um trailer entregou o climax de todo o filme. Cadê a "Escola de Segredos Cinematográficos MisteryBox" do J.J. Abrams? Doomsday foi uma criatura feita 100% de efeitos visuais que ameaçou (de novo) a cidade de Metropolis e ocasionou a tag team Bat-Super-Maravilha.



No entanto, senhoras e senhores, esse não é o problema principal do personagem. O problema principal encontra-se no simples fato de seu nascimento ser ocasionado pelo mal uso de tecnologia Kryptoniana nas mãos de Lex Luthor, onde ao adicionar o cadáver do General Zod à um piscina de líquido semelhante à mijo e esfregar sangue Luthor no rosto do morto, permitiu a formação de um casulo de metamorfose capaz de dar vida à um abominação kryptoniana que não pode ser ferida por bombas nucleares, o maior orgulho bélico do nosso pequeno planetinha azul.

Coisa sem sentido n°5: Lois Lane

Lois Lane. Lois Joanne Lane. Por onde eu começo a falar sobre Lois Lane? Sabe, com todos esses problemas de roteiro no filme, eu acho que o que impediu a equipe de roteiristas de corrigi-los e entregar um filme com enredo muito mais sólido foram as noites viradas à procura de uma forma de fazer Lois Lane ser uma personagem importante ao filme, por alguma razão. Essas foram horas completamente desperdiçadas.

Desde o começo do filme, Lois Lane continuamente aparece em cena fazendo do impossível ao improvável para desenvolver a história. Ela entrevistas terroristas, é sequestrada por terroristas, ocasiona a morte de terroristas e também de aldeões inocentes, toma banho de espuma em banheira, persegue oficiais militares, rastreia projéteis balísticos desconhecidos, é sequestrada de novo, jogada de um prédio, salva. Por mais que tenham dado inúmeras tarefas para que ela pudesse evoluir a trama, na hora H, seu papel mais importante ainda foi de "Donzela em Perigo".

Eu também não estou exagerando quando digo que Lois Lane foi a responsável DIRETA por criar a grande dificuldade do terceiro ato do filme. Ela conseguiu atrapalhar a tag-team do próprio namorado e... Meu Deus, chega. Lois Lane, por quê você estava nesse filme!?

(Diga-se de passagem, a atriz Amy Adams é uma talentosa artista e os únicos responsáveis pelo Fiasco Lane são os roteiristas que souberam aproveitar a atriz que tinham ao alcance)

Coisa sem sentido n° 6: a Liga da Justiça.


Não é nenhum mistério que “BatmanVSuperman: a Origem da Justiça” será responsável por definir o tom para um futuro filme da Liga da Justiça. Todos esperávamos referências e promessas, rápidas aparições e mistério. Mas então, numa demonstração surpreendente de pura negligência para com o conceito de criatividade e respeito ao material de base, os roteiristas desse filme fizeram uso de um EMAIL para fomentar o nascimento da Liga da Justiça. UM EMAIL.

Gal Gadot recebe um email de Bruce Wayne com pastas anexadas contendo gravações de “possíveis metahumanos”. Esses vídeos eram o Flash impedindo um assalto, um torso mutilado se misturando à cibertecnologia sentiente que virá a ser o Ciborgue e uma gravação do Aquaman saindo de um navio afundando e quebrando a barreira do som à nado. Posteriormente, Bruce e Diana decidem rastrear esses “metahumanos” porque eles vão precisar se unir. Mas por quê eles precisariam se unir? “Uma intuição”, responde Bruce. ESSA é a “Origem da Justiça” que vemos no subtítulo do filme.

DETALHE! Sabe as pastas anexadas no email com as gravações? Elas não eram nomeadas “Flash”, “Ciborgue” ou “Aquaman”. Não, as pastas eram identificadas com os LOGOTIPOS DE CADA PERSONAGEM! Aparentemente, a empresa da qual o Batman roubou esses dados, formou equipes de design que através de reuniões de brainstorming criaram símbolos característicos pra cada um dos potenciais “metahumanos” e por coincidência, essas logos são as mesmas anunciadas pela DC para esses mesmos personagens!

Porra, eu sei que vocês sabem que a gente sabe quem eles são, galera-que-fez-o-filme, mas bora fingir que a gente não sabe e ver a história do filme se desenvolver direitinho, bora?


É, galera, acabamos. O filme ta aí, já foi feito e não dá pra mudar. Zack Snyder tem se pronunciado em algumas entrevistas afirmando que será liberada um versão do diretor que haverá 30 min extras de gravação onde o filme "abordaria mais a interação entre Batman e Superman, além de ter mais ação e ser mais violento". Bem, isso é uma coisa interessante. Não é algo estranho a grandes estúdios prejudicarem a produção de um filme com edições da versão final... 

É, eu quero ver esse Director's Cut aí ein.

P.S.: Se o Cavaleiro das Trevas não teria piedade dos erros desse filme, o Homem de Aço inspiraria o alto caráter de destacar as partes boas que esse filme teve. O melhor que BatmanVSuperman trouxe à telona, confira aqui nessa segunda crítica.


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